Estrabismo: estética ou saúde?

Não apenas por uma questão de aparência, é preciso tratar o estrabismo para evitar perda da visão. Várias podem ser as causas e quanto antes for diagnosticado, maior a chance de sucesso do tratamento. O estrabismo é caracterizado pelo desalinhamento dos olhos. Os olhos não se voltam para a mesma direção, porque os músculos responsáveis pelos movimentos oculares não estão em equilíbrio. Chamam também de vesgo ou caolho quem tem estrabismo.

O estrabismo pode ser gerado por algum problema afetando o cérebro, já que é a partir dele que os olhos se movimentam. Outras doenças podem levar ao estrabismo, como traumatismo ou tumor no cérebro, AVC, hipertensão, viroses, Síndrome de Down, diabete ou até distúrbios da tireoide.

O fator genético pode ser determinante e, neste caso, o estrabismo se manifesta desde criança. Outros problemas de visão também geram desequilíbrio no direcionamento dos olhos, como a hipermetropia ou a baixa visão em um dos olhos.

É importante observar os sintomas do estrabismo, por exemplo, quando há visão dupla. No caso da criança, percebemos desvio em seus olhos. Urgente levar a criança ao médico oftalmologista que irá fazer testes adequados e diagnosticar.

O tratamento pode ser bem simples! Basta por vezes utilizar óculos especiais ou tapa-olho pelo período recomendado pelo médico. Em alguns casos, é recomendada cirurgia, corrigindo a posição dos músculos que estão causando o desalinhamento dos olhos.

Qualquer que seja a causa, o tratamento especializado é importante. Pode ocorrer de um dos olhos ganhar domínio na visão, enfraquecendo gradativamente o outro olho por ser menos solicitado. É essa diferença na função exercida por cada olho que traz cansaço e dor de cabeça.

Pior é quando o olho mais fraco acaba perdendo sua capacidade de enxergar. É muito importante procurar o médico assim que houver a percepção do estrabismo. A prevenção ajuda a evitar a cegueira.

Cuidados com a saúde exigem também atenção à vida emocional. O estrabismo pode ter efeitos psicológicos ou sociais, por vezes geram discriminação ou preconceito. Uma pesquisa na Suiça mostrou que o impacto social do estrabismo afeta sobretudo as crianças.

As crianças não têm naturalmente preconceitos mas, segundo médicos especializados em estrabismo, desde cedo já demonstram perceber diferenças entre uma criança estrábica e outra não.

É importante observar como a criança que tem estrabismo vai reagindo, para que não haja consequências fortes em sua autoestima. A conversa franca, cara-a-cara, pode evitar problemas futuros, tanto em sua vida afetiva e social, como na vida profissional.

Segundo alguns psicólogos, as pessoas têm dificuldades de lidar com as diferenças, então, quem é mais diferente tende a ser estigmatizado. A família é fundamental para dar estrutura emocional à criança.

Se a criança souber desde cedo que tem uma característica diferente, como o estrabismo, crescerá com mais facilidade de falar sobre isso, de se defender e, sobretudo, poderá perceber que o estrabismo não a torna menos capaz do que outras pessoas.

Há uma estilista brasileira que deve seu sucesso ao estrabismo. Não podendo enxergar bem a profundidade dos objetos, optou por elaborar peças do vestuário com grande volume de tecido e este acabou sendo seu diferencial.

Casos de reconhecimento e valorização das diferenças podem ser inúmeros. O mais importante é não negligenciar. Observar, perceber, tratar. Conversar. A felicidade de seu filho ou de sua filha depende disto.

Quem ama cuida !


Referências


CENTRO Brasileiro de Estrabismo. Disponível em: https://cbe.org.br/publico-em-geral/estrabismo/. Acesso em: 5 nov. 2020.


CORREIO BRAZILIENSE. Quem sofre de estrabismo precisa enfrentar continuamente a discriminação. Médicos ressaltam que o problema pode ser corrigido em qualquer idade. 7 set. 2010. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2010/09/07/interna_ciencia_saude,211809/quem-sofre-de-estrabismo-precisa-enfrentar-continuamente-a-discriminacao.shtml. Acesso em: 30 out. 2020.


GNT. Patrícia Vieira conta que o estrabismo ajudou a alavancar sua carreira. Estilista passou a criar peças com volume porque não enxergava em 3D. Disponível em: https://gnt.globo.com/moda-e-beleza/noticia/patricia-viera-conta-que-o-estrabismo-ajudou-a-alavancar-sua-carreira.ghtml. Acesso em: 30 out. 2020.


JAMPAULO, Mario. Estrabismo: o que é, quais são as causas e como tratar. Em: Viva Oftalmologia. Disponível em: https://vivaoftalmologia.com.br/estrabismo-o-que-e-quais-sao-causas-e-como-tratar/. Acesso em: 30 out. 2020.


MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estrabismo. Maio 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/232_estrabismo.html. Acesso em: 30 out 2020.

TIMSIT, Marc. Le strabisme de l’enfant. Em: Docteur Marc Timsit. Disponível em: https://www.ophtalmologie.fr/strabisme.html. Acesso em: 30 out. 2020.


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